Fundamental para a manutenção da biodiversidade e
de todos os ciclos naturais, para a produção de
alimentos e a preservação da própria vida, a
água vem se tornando cada vez mais um recurso
estratégico para a humanidade. Nosso mais valioso recurso
é tema do livro
"A Água", da série
"Folha Explica" da "Publifolha", cujo primeiro capítulo
é disponibilizado abaixo.
As grandes civilizações já dependem e
vão depender cada vez mais da água para sua
sobrevivência econômica e biológica, além
do desenvolvimento econômico e cultural. Assim
"A Água" analisa, de forma didática,
questões como as propriedades essenciais da água,
seus múltiplos usos, o impacto da exploração
humana dos recursos hídricos e suas
conseqüências.
Um dos autores, José Galizia Tundisi, é presidente
do Instituto Internacional de Ecologia de São Carlos e foi
presidente do CNPq.
Takako Matsumura Tundisi, por sua vez, é professora
titular aposentada da Universidade Federal de São Carlos e
diretora científica do Instituto Internacional de
Ecologia.
*
Confira a introdução de "Folha Explica - A
Água":
A água é um recurso estratégico para a
humanidade, pois mantém a vida no planeta Terra, sustenta a
biodiversidade e a produção de alimentos e suporta
todos os ciclos naturais. A água tem, portanto,
importância ecológica, econômica e social. As
grandes civilizações do passado e do presente, assim
como as do futuro, dependem e dependerão da água para
sua sobrevivência econômica e biológica, e para
o desenvolvimento econômico e cultural. Há uma cultura
relacionada com a água e um ciclo hidrossocial na
inter-relação da população humana com
as águas continentais e costeiras.
Embora dependam da água para sua sobrevivência e
para o desenvolvimento econômico e social, as sociedades
humanas poluem e degradam este recurso --tanto as águas
superficiais como as subterrâneas. A
diversificação de usos múltiplos,1 a
deposição de resíduos sólidos e
líquidos em rios, lagos e represas, e o desmatamento e
ocupação de bacias hidrográficas têm
produzido crises de abastecimento e crises na qualidade das
águas. Todas as avaliações atuais sobre a
distribuição, quantidade e qualidade das águas
apontam para mudanças substanciais na direção
do planejamento, gerenciamento de águas superficiais e
subterrâneas. Para uma adequada gestão dos recursos
hídricos é necessária uma
integração mais efetiva e consistente das
informações sobre o funcionamento de lagos, rios,
represas e áreas alagadas e dos processos econômicos e
sociais que influenciam os recursos hídricos.
Este livro mostra os usos deste recurso natural fundamental para
a continuidade da vida no planeta Terra e aponta os principais
problemas referentes ao ciclo da água.
Na seção introdutória, abaixo,
apresentam-se informações gerais referentes à
água e sua distribuição no planeta Terra,
especialmente os valores de águas doces e salinas e
águas no estado sólido. Veremos que a água
doce disponível é apenas uma pequena
fração dos recursos hídricos do planeta.
No capítulo 1 discute-se o ciclo hidrológico e
seus componentes, tais como precipitação,
evaporação e drenagem, entre outros. Os volumes
relativos a cada etapa do ciclo serão examinados, bem como a
água existente nos principais rios e lagos do planeta. Nesse
capítulo também são discutidas as propriedades
essenciais da água e as características
físicas e químicas que fazem dela uma
substância peculiar, de enorme importância para a vida
de todos os organismos da Terra, incluindo a espécie
humana.
No capítulo 2 são apresentados e discutidos os
volumes e estatísticas sobre os recursos hídricos do
Brasil e as relações entre a
distribuição dos recursos hídricos e a
população. Discute-se também a
importância das atividades humanas no ciclo
hidrológico e a disponibilidade hídrica social.
O capítulo 3 apresenta os usos múltiplos da
água e os benefícios que podem trazer ao
desenvolvimento e manutenção da qualidade de vida.
Apresentam-se também os históricos e as
tendências no uso das águas e a disponibilidade social
no acesso a ela como motivo da exclusão social. São
também discutidos os usos múltiplos da água no
Brasil e sua importância para o desenvolvimento do
país.
No capítulo seguinte discutem-se os impactos das
várias atividades humanas, do crescimento populacional e da
contaminação do solo e atmosfera na
situação dos recursos hídricos. A
contaminação das águas superficiais e
subterrâneas é um dos problemas que afetam a
segurança coletiva da população e a
saúde pública.
Os impactos de usos múltiplos dos recursos
hídricos no Brasil e suas conseqüências
ecológicas, econômicas e sociais são discutidos
no capítulo 5, em que também são apresentadas
informações sobre sua magnitude e o potencial para
aumento no futuro, se ações decisivas e integradas
não forem implantadas.
No capítulo 6 são abordados o planejamento e
gestão dos recursos hídricos. Descrevem-se a
evolução dos sistemas e processos de gerenciamento e
gestão ao longo do século 20 e também os
vários mecanismos para gestão integrada e preditiva,
especialmente ao nível de bacia hidrográfica.
Finalmente, no capítulo 7, são discutidas as
questões principais referentes ao futuro dos usos e
gestão das águas no século 21: alternativas
para enfrentar a escassez, mecanismos e tecnologias
avançadas para diminuir a contaminação e ainda
a introdução de uma nova ética para a
água --consubstanciada na gestão ambiental mais
ampla--, usos do solo, proteção das florestas e
biodiversidade, recuperação e proteção
de áreas alagadas. Apresentam-se as últimas
resoluções das Nações Unidas sobre o
problema da água, culminando com a implantação
da Década Mundial da Água a partir de 2005.
O leitor poderá consultar um glossário, no fim do
livro, para melhor explicação sobre termos
utilizados. Também foram incluídos termos não
utilizados no texto, mas que podem ser úteis para
esclarecimentos futuros.
Considerando-se a obra como um todo, foi feito um esforço
no sentido de promover uma visão sistêmica,
sintética e útil sobre um recurso natural essencial
à sobrevivência das espécies --incluindo a
espécie humana-- e vital para o funcionamento equilibrado do
planeta.
A ÁGUA NO PLANETA TERRA
A água é uma substância essencial à
vida. É encontrada na Terra sob as formas sólida,
líquida e gasosa. Noventa e oito por cento da água
neste planeta encontra-se nos oceanos (aproximadamente 109 mil
km3 de água). Águas doces, que constituem
os rios e lagos nos continentes, e águas subterrâneas
são relativamente escassas. Estas águas doces nos
continentes são a fonte que produz alimentos e colheitas,
mantém a biodiversidade e os ciclos de nutrientes, e
mantém também as atividades humanas. Sem água
de qualidade adequada, o desenvolvimento econômico-social e a
qualidade da vida da população humana ficam
comprometidos. As fontes de água doce, superficiais ou
subterrâneas, têm sofrido, especialmente nos
últimos cem anos, em razão de um conjunto de
atividades humanas sem precedentes na história:
construção de hidrovias, urbanização
acelerada, usos intensivos das águas superficiais e
subterrâneas na agricultura e na indústria.
O ciclo hidrológico (passagem constante de um estado a
outro, como veremos no capítulo 1) renova as quantidades de
água e também a sua qualidade. Entretanto, esta
água que passa do estado líquido para o gasoso, e
também se acumula no estado sólido (gelo) nas calotas
polares, não é infinita. O ciclo renova a quantidade
de vapor d'água na atmosfera e a quantidade da água
líquida, periodicamente, mas é sempre a mesma
quantidade de água que é renovada. O aumento intenso
de demanda diminui, portanto, a disponibilidade de água
líquida e coloca em perigo os usos múltiplos, a
expansão econômica e a qualidade de vida. As
águas doces continentais também sofrem com a
contaminação causada por inúmeras
substâncias, pelo despejo de esgotos domésticos e
industriais, e com acúmulo destas nos sedimentos de rios,
lagos e represas.
Como se chegou a este ponto no uso e degradação de
um recurso natural vital para a sobrevivência de todas as
espécies de animais e plantas?
A resposta é: porque se acreditava que o recurso era
infinito, assim como a capacidade de autodepuração do
sistema. Pensava-se que a tecnologia desenvolvida pelo homem
poderia tratar qualquer tipo de água contaminada e
recuperá-la. Na verdade, o recurso é finito, pois a
quantidade de água líquida depende de demanda, e a
capacidade de autodepuração dos sistemas tem limite;
é bom ter em mente, também, que os custos para
transformar água de qualquer qualidade em água
potável estão se tornando proibitivos.
Deve-se ainda considerar que as grandes massas urbanas --3
bilhões de pessoas-- necessitam de grandes volumes de
água para sua sustentabilidade; além disso, produzem
uma massa enorme de detritos (fezes e urina), que necessitam de
tratamento imediato para não contaminar as águas
superficiais e subterrâneas. Este conjunto de problemas levou
à atual situação da água, uma crise sem
precedentes, que demanda ações de curto, médio
e longo prazos.
1 "Usos múltiplos" da água referem-se aos usos
para várias atividades simultaneamente: por exemplo, a
água de um lago pode ser utilizada ao mesmo tempo para
abastecimento público, recreação, turismo e
irrigação.
"Folha Explica - A Água"
Autor: José Galizia Tundisi e Takako
Matsumura Tundisi
Editora: Publifolha
Páginas: 128
Quanto: R$ 17,90
Onde comprar: nas principais livrarias, pelo
telefone 0800-140090 ou pelo
site da Publifolha
Comentários